
VILHENA, RO – No simbolismo do Rito Adonhiramita, a escolha do "nome histórico" no momento da iniciação representa a identificação do maçom com as virtudes e o legado de grandes vultos da humanidade. Para o Sapientíssimo Irmão Roberto Scalercio Pires, essa escolha recaiu, há 45 anos, sobre o General Lauro Sodré, eminente maçom e figura de destaque na história republicana do Brasil. Durante a Sessão Magna de entrega da Comenda da Ordem do Mérito Dom Pedro I, essa conexão histórica ganhou vida de forma inusitada e profundamente emocionante, transformando o templo lotado em um cenário de rara comoção.
O momento ápice da solenidade ocorreu quando o artista Mário Mileo, mestre instalado e amigo particular de Pires e do Grão-Mestre Claudenilson Alves, postou-se "entre colunas" o lugar de maior destaque visual e simbólico em um templo maçônico. Diante de autoridades civis e da família maçônica, Mileo protagonizou um ato de inteligência artística e sensibilidade: a leitura de um documento como se tivesse sido "psicografado" ou enviado do oriente eterno pelo próprio Lauro Sodré, endereçado diretamente ao homenageado da noite.
No texto, a figura histórica de Lauro Sodré expressava o orgulho de ter seu nome honrado por uma figura tão importante quanto Roberto Scalercio Pires. A metáfora utilizada por Mileo construiu uma ponte entre o passado e o presente, relatando os feitos de Pires na maçonaria rondoniense como uma continuidade legítima da história de Sodré. A narrativa reforçou que o legado do General encontrou nos 45 anos de dedicação de Pires um solo fértil para florescer, mantendo viva a chama dos ideais de liberdade e fraternidade.
A reação do homenageado e do público foi imediata. Tomado por uma surpresa absoluta e pelo peso da responsabilidade histórica que seu nome maçônico carrega, o Sapientíssimo Irmão Pires não conteve as lágrimas, que emocionaram a todos os presentes. O choro de um Grão-Mestre Honorário, ao ouvir "seu próprio nome histórico" reconhecer sua caminhada, selou a entrega da Comenda Dom Pedro I com uma chancela que transcendeu o protocolo administrativo.
Este momento de profunda conexão espiritual e histórica carimbou a mística do Rito Adonhiramita e a importância da memória institucional. Ao final, a sensação entre os convidados e autoridades era a de terem testemunhado não apenas uma homenagem a um homem, mas um diálogo entre gerações de maçons que, através do tempo, seguem unidos pelo mesmo propósito de construção de uma sociedade mais justa.

Secretaria de Informática e Comunicação do GOB-RO - Rubens Nascimento